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As armadilhas do crédito
Cheque especial é um dos causadores do endividamento
Há anos, os especialistas vêm falando do risco da oferta de crédito em demasia. Mas um estudo do Banco Central indica que o grande vilão é um elemento nada novo no cenário econômico – o cheque especial. Apesar de ter os juros mais altos do mercado, em média 7,6% ao mês, seu uso tem crescido 20,6% ao ano e só perde para o crédito consignado, que cresceu 39,7%.
Até pouco tempo, o cheque especial era um recurso emergencial, mas a comodidade na contratação o tornou quase um complemento de renda. Porém, diferente dos empréstimos pessoais, em que os juros são negociados previamente e variam de acordo com as parcelas, no cheque especial os juros são cobrados posteriormente e podem chegar a 139,5% ao ano. Muitas vezes o cliente nem confere o custo total de ter usado o serviço.
A culpa deste comportamento é a falta de educação financeira somada a uma demanda por consumo reprimida por muitos anos e às facilidades no pagamento. Hoje, o consumo é proporcional à prestação que “cabe no bolso”. O problema é cultural e não vem de hoje, mas a solução existe. São as cooperativas de crédito que funcionam como uma consultoria inteligente e confiável para evitar o caos financeiro.
Países como Canadá ou Estados Unidos, onde o índice de associados chega a 40% da população economicamente ativa, provam que difundir a adesão a cooperativas de crédito ajuda a conscientizar a população sobre os altos juros praticados por bancos e financeiras. O associado recebe orientação isenta de interesses comerciais e é incentivado a poupar, visto que seu dinheiro aplicado mês a mês forma um capital que retorna corrigido, caso ele desista de ser associado.
Fazer parte de uma cooperativa de crédito é um negócio vantajoso, mas infelizmente ainda pouco explorado pelos brasileiros. Menos de 5% da população é associado a uma cooperativa. Em São Paulo, o crédito cooperativo beneficia 250 mil pessoas.
Agora, com a chegada do final do ano e as ofertas imperdíveis, a população se vê ainda mais tentada a consumir. Chamadas como “compre agora e comece a pagar no ano que vem” são armadilhas que devem ser evitadas. Caso contrário, as perspectivas são de brindar o Ano Novo no vermelho.
Manoel Messias da Silva
Presidente do Sicoob Central Cecresp (Central das Cooperativas de Crédito do Estado de São Paulo) e da Confebras (Confederação Brasileira das Cooperativas de Crédito) e coordenador do Conselho Especializado de Crédito da OCB (Organização das
Cooperativas Brasileiras)
Jardim registra Dia Internacional das Cooperativas de Crédito na Câmara Federal
Diretor responsável pelo ramo crédito na Frencoop Nacional, o deputado Arnaldo Jardim registrou da tribuna da Câmara o Dia Internacional das Cooperativas de Crédito, que é comemorado tradicionalmente na terceira quinta-feira de outubro, no dia 18. Ele ressaltou as conquistas do cooperativismo de crédito e disse que apesar do longo caminho a ser percorrido por essas instituições no mercado financeiro nacional, o setor “vem rompendo barreiras e criando seu espaço no país".
“As cooperativas de crédito no Brasil estão contribuindo para a construção de uma sociedade mais responsável, participativa e voltada para o bem comum”, disse, ao afirmar que o seu objetivo não é lucro financeiro, símbolo do capitalismo, mas os benefícios individuais e coletivos voltados para a democracia, o humanismo e a irmandade entre os povos”.
Segundo Jardim, as cooperativas de credito brasileiras estão ganhando espaço no mercado a cada ano. “A OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras) aponta para o crescimento do atendimento que, em dezembro de 2002, somava 2.915 pontos, e em agosto deste ano já alcançava 3.876, o que representa mais de um ponto de atendimento inaugurado a cada dois dias nos últimos 56 meses”, disse, ao destacar a existência de 1.640 cooperativas de crédito, responsáveis pela geração de 30 mil postos de trabalho, e mais de três milhões de associados.
Com base em dados da Ocesp (Organização das Cooperativas Paulistas), Jardim disse que o estado de São Paulo possui 206 cooperativas que movimentam R$ 1,46 bilhão e empregam 15 mil pessoas. “Como diretor do ramo de crédito da Frente Parlamentar pelo Cooperativismo da Câmara, reitero o meu compromisso com a agenda legislativa do cooperativismo diante dos desafios que teremos que enfrentar nos próximos anos, que só serão superados com muita cooperação e espírito público”, finalizou. Confira abaixo a íntegra do pronunciamento.
Senhor Presidente,
Senhoras e Senhores Deputados
Desde 1948, o Dia Internacional das Cooperativas de Crédito é celebrado na terceira quinta-feira do mês de outubro. Este ano, no dia 18 de outubro, são celebradas as conquistas e vitórias, além de saudar a história do cooperativismo de crédito e fazer projeções para o futuro. Desde 1970, as comemorações são coordenadas internacionalmente pelo Conselho Mundial das Cooperativas de Crédito-WOCCU.
Este dia é dedicado a fazer uma análise sobre a história do movimento das cooperativas, homenagear pessoas que dedicaram suas vidas à causa e é também uma oportunidade de promover ações sociais capitaneadas pelas cooperativas.
O lema deste ano para o Dia internacional do Cooperativismo de crédito é “Juntos Somos Melhores”, reconhece o progresso alcançado em todo o mundo na medida em que as cooperativas de crédito unem seus esforços e constroem novas alianças. Independente do país em que vivem, os sócios das cooperativas de crédito estão descobrindo suas qualidades e benefícios. E com o intercâmbio de novas idéias, as cooperativas de crédito aproximam-se ainda mais dos sócios e oferecem melhores serviços e produtos financeiros para todos.
Dentro do cenário das Cooperativas de Crédito, muitos se rendem ao sistema cooperativo pelos seus ideais, outros pelos seus benefícios, mas todos ficam sujeitos a aprender a prática da doutrina cooperativa que não se configura em comunismo, capitalismo ou sequer assistencialismo, mas em alicerçados valores humanos, cunhados pela vontade e consciência dos homens em progredir e construir um horizonte mais justo, sustentável e com oportunidades para todos.
Diante deste contexto, uma das características do cooperativismo de crédito é possuir baixo índice de inadimplência entre os associados, atendimento personalizado e adequado ao potencial interesse do associado. O princípio das cooperativas de crédito é desenvolver programas de assistência financeira e prestação de serviço aos cooperados, com a finalidade de oferecer adequado atendimento às suas necessidades de crédito, contribuindo para torná-los independentes de outras instituições financeiras públicas e privadas.
Apesar de possuir um longo caminho a ser percorrido no mercado financeiro nacional, é notório que ao passar dos anos as Cooperativas de Crédito vem rompendo barreiras e criando seu espaço no seio financeiro e econômico do País, trazendo consigo a construção de uma sociedade mais responsável, participativa, voltada para o bem comum e com ganhos em escala.
Nas Cooperativas de Crédito o objetivo não é o lucro financeiro, símbolo do capitalismo e objeto fim de muitas instituições financeiras, mas sim os benefícios individuais e coletivos que possam agregar qualidade de vida através de um modelo eqüitativo de renda com valores e princípios incontestáveis que enaltecem os sentidos de democracia, humanismo e irmandade entre os povos.
Em franca expansão, as cooperativas de crédito no Brasil, vêm a cada ano que passa concretizando seu espaço no mercado financeiro nacional. A Organização das Cooperativas Brasileiras – OCB aponta o crescimento dos pontos de atendimento que, em dezembro de 2002, somavam 2.915 pontos e, em agosto de 2007, totalizavam 3.876, uma expressiva marca de mais de 01 ponto de atendimento inaugurado a cada 02 dias nos últimos 56 meses.
No Brasil, existem mais de 1.460 Cooperativas de Crédito, totalizando 3.876 pontos de atendimento, com mais de 3 milhões de associados e pelo emprego direto de cerca 30 mil pessoas, com um ativo na faixa de R$ 30 bilhões de reais.
De acordo com a OCESP – Organização das Cooperativas paulistas, no Estado de São Paulo, são 206 cooperativas, mais de 366 mil cooperados, uma movimentação financeira de 1.469 bilhões e mais de 15 mil postos de trabalho.
Como diretor do ramo crédito da Frente Parlamentar pelo Cooperativismo – Frencoop, reitero o meu compromisso com a Agenda Legislativa do Cooperativismo, um conjunto de propostas que orientam a ação de parlamentares compromissados com o setor.
No Congresso Nacional, os debates serão calorosos em relação à nova lei cooperativista e à importância da unicidade do sistema; na regulamentação de diversos ramos; nas discussões acerca do tratamento adequado do Ato Cooperativo; no acesso direto das cooperativas de crédito aos recursos do FAT (Fundo de Amparo do Trabalhador); e na aprovação das medidas que eliminem a bi-tributação.
Entretanto, já colhemos frutos importantes, como a recente aprovação da Medida Provisória 351, que incorporou as cooperativas com faturamento anual até R$ 2,4 milhões no Estatuto das Micro e Pequenas Empresas, além de outras inovações importantes, como: acesso aos mercados; simplificação das relações de trabalho; fiscalização orientada; estabelecimento de critérios do associativismo; estímulo ao crédito, a capitalização e a inovação tecnológica; no protesto de títulos; e, finalmente, na garantia de acesso à Justiça. O texto aprovado pela Câmara ainda precisa passar pela aprovação do Senado, mesmo assim, estou otimista.
São muitos os desafios que teremos de enfrentar nos próximos anos, que só serão superados com muita cooperação e espírito público. Para isso, é importante que a OCB, OCESP e as lideranças do setor cooperativista ajudem na mobilização, participem e colaborem na elaboração de leis capazes de assegurar o crescimento sustentável da atividade no Brasil.
Fonte: Assessoria do Deputado Arnaldo Jardim site:www.arnaldojardim.com.br
BC pode intervir em tarifa de crédito
Taxa cobrada na liquidação antecipada de empréstimo passaria a ser opcional, teria um teto ou seria eliminada
Adriana Fernandes e Fabio Graner, BRASÍLIA
O Ministério da Fazenda e o Banco Central (BC) ainda quebram a cabeça para definir o que fazer com a Tarifa de Liquidação Antecipada (TLA) no marco regulatório que será criado para dar mais transparência e evitar abusos na cobrança das tarifas pelos bancos. A TLA é a tarifa cobrada quando o devedor quita antecipadamente o empréstimo do banco. Dependendo do tipo de financiamento, ela pode chegar a R$ 5 mil.
O secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, disse ao Estado que a simples eliminação da TLA pode gerar problemas para os bancos e comprometer a oferta de crédito, sobretudo nos financiamentos de prazo mais longo, como de automóveis e imóveis.
“É a decisão mais difícil. Não tem solução técnica clara. Vai ter ônus político para qualquer lado”, disse Barbosa, responsável no Ministério da Fazenda pela elaboração das medidas que serão baixadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). A TLA tem por objetivo cobrir o risco de descasamento entre ativos e passivos do banco no caso de pagamento antecipado de crédito. O problema tende a aumentar com a queda dos juros, que estimula os consumidores a refinanciar suas dívidas a taxas mais baixas em outras instituições financeiras.
O descasamento pode ocorrer porque, para oferecer o empréstimo, o banco capta os recursos a uma determinada taxa, levando em consideração os juros cobrados do tomador e o prazo do financiamento.
Se o cliente antecipa o pagamento, a instituição continuará devendo a uma taxa mais alta, mas não receberá mais a remuneração do empréstimo para o qual fez a captação. “A questão do descasamento é tão mais importante quanto mais longo é o empréstimo”, disse Barbosa.
Por outro lado, o governo está preocupado com a cobrança de TLAs abusivas, que inibem a saída de clientes para outras instituições. O governo considera várias alternativas sobre o que fazer com a tarifa: limitar claramente o valor máximo permitido; eliminá-la em operações de crédito com prazo a decorrer inferior a 24 meses; e eliminá-la no crédito ao consumidor para a compra de bens duráveis. Também estuda transformar a TLA em opção, definida no contrato de crédito. Nesse caso, quem optasse pela TLA pagaria juros mais elevados. Quem decidisse pagar o contrato até o fim teria juros menores.
Além de padronizar e limitar o número de tarifas bancárias, a regulamentação também deverá exigir que os bancos tenham de pedir autorização do governo para criar tarifas que não estejam na lista. O governo também deve diminuir o número de tarifas, eliminando as consideradas abusivas.
ABERTURA DE CRÉDITO
Barbosa informou, ainda, que o governo pode obrigar os bancos a explicitar o custo total do financiamento, incluindo a polêmica Tarifa de Abertura de Crédito (TAC). O governo, inicialmente, não quer eliminar a TAC, que é importante nos financiamentos de automóveis.
Para a Fazenda, a simples eliminação da TAC pode elevar os juros e limitar a oferta de empréstimos. Mas o governo quer que os bancos deixem claro quanto ela representa no custo final do crédito, para que os clientes possam comparar com outras instituições.
Segundo Barbosa, reclamações dos consumidores têm levado governos de diversos países a se debruçar sobre o tema da regulação bancária. A cobrança de tarifas, fenômeno que ganhou relevância nos anos 90 com a expressiva redução dos ganhos dos bancos com a inflação, é o principal alvo dessa nova rodada regulatória. “A preocupação com as tarifas é generalizada no mundo”, disse. Cooperados: custos são baixos e não há imposto
Empréstimos em cooperativas de crédito não cobram IOF, e lucros podem ser redistribuídos
As cooperativas de crédito ainda são novidades para muita gente, mas, aos poucos, vêm tomando o espaço de bancos e financeiras. Com uma estrutura que não busca o lucro, elas repassam valores de custo para quem precisa de empréstimos e serviços bancários.
Das 360 cooperativas em funcionamento no Estado, 200 estão associadas à Central das Cooperativas de Crédito de São Paulo (Cecresp). Pessoas ligadas a essas entidades têm acesso aos serviços do Banco Cooperativo do Brasil (Bancoop), uma instituição que funciona como um banco convencional - só que mais barato.
'Não há cobrança de Imposto sobre Operações de Crédito (IOF) e as cooperativas cobram de 3% a 5% de juros no cheque especial e de 1,7% a 3% no crédito pessoal', explica Manoel Messias da Silva, presidente da Cecresp.
Na Cooperativa de Crédito Mútuo dos Corretores de Seguro do Estado de São Paulo (Credicor-SP), os juros de empréstimos são de 2,5% ao mês (2% no caso de consignados) e a Tarifa de Abertura de Crédito (TAC) é de R$ 10. 'A entidade foi criada para atender ao segmento dos corretores e reúne profissionais, empresas, funcionários e seus familiares', diz o gerente-geral Paulo Ciardella.
O corretor de seguros Elcio Martins Fontana é um dos cooperados que utilizam regularmente o empréstimo. Em agosto de 2006, ele pegou R$ 7,5 mil para pagar uma dívida com a faculdade do filho. O saldo foi dividido em 18 parcelas de R$ 509, com juros de 2%. 'Depois de pagar dez parcelas, ainda renegociei o restante', afirma. 'Se procurasse um banco, os juros chegariam a 5%. Nas financeiras, a taxa seria ainda maior.'
Como não buscam o lucro, as cooperativas cobram taxas menores e, no fim do ano, podem até mesmo devolver aos membros o excedente apurado e os ganhos do exercício fiscal. É como se o lucro do banco fosse redistribuído aos clientes.
Na Cooperativa de Crédito de Guarulhos, as taxas dos empréstimos não são nem classificadas como 'juros', mas sim como 'encargos financeiros'. A entidade cobra 2,5% por mês, mas o índice inside apenas sobre o saldo.
No empréstimo, cada pagamento mensal traz uma parcela de amortização e outra de juros. 'Como os juros incidem apenas sobre a dívida real, os valores pagos vão diminuindo ao longo dos meses', explica Mylton Mesquita, diretor da entidade. 'O encargo financeiro é para sustentar as despesas. No fim do ano, se houver recursos, eles são devolvidos.'
Fonte: Jornal: Jornal da Tarde - Seção: Seu Dinheiro - 04/09/2007
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Manual do Cooperado

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