As taxas ocultas do parcelamento
Graças à estabilidade econômica, o Brasil tem retomado a confiança e a esperança no desenvolvimento, perdidos na década de 90. O investimento estrangeiro retorna às nossas terras, não dependemos mais do FMI, o incentivo ao crédito decola e faz a economia girar - receita básica para o país crescer.
O resultado desse boom econômico é que, nos últimos cinco anos, o crédito cresceu 150%, os carros aumentaram as vendas em 78% e os computadores, 190%. Da mesma forma, se em 2003 o crédito representava 23% do Produto Interno Bruto (PIB), até outubro de 2007, chegava a 34%, o equivalente a R$ 880,8 bilhões, segundo o Banco Central.
Porém, ainda há muito a crescer e a previsão é que chegue a 38% em 2008. Na Coréia, representa 100% do PIB; na Tailândia, 90%; e no Chile, 60%.
Hoje vivemos um momento de inflação civilizada, o PIB está crescendo em uma média de 4% ao ano, nossas reservas externas aumentaram e a dívida pública tem caído. O cenário é bom, mas como os juros baixaram, o crédito disponível em abundância faz com que uma parcela muito grande da população não perceba a altas taxas embutidas em cada parcela do financiamento.
Não podemos culpar os bancos nem os consumidores por estarem aproveitando esta maré. Se há algum culpado, é a falta de conhecimento sobre educação financeira. Mas existem alternativas. Quem conhece a realidade das cooperativas de crédito sabe que educar os sócios é um ideal perseguido. A todo o momento, os associados são informados das taxas que pagam e também das que não são cobradas.
Há quem pense que cooperativismo é para quem não têm condições de abrir uma conta em banco, mas esse conceito não é verdadeiro. As organizações são sérias, obedecem regras do Banco Central e são focadas na melhoria da qualidade de vida de seus associados e familiares.
Se, no Brasil, apenas 10% da População Economicamente Ativa (PEA) é associada a uma cooperativa de crédito é por falta de uma política que divulgue mais as vantagens e mude uma cultura arraigada que não investe na cooperação como pilar para o desenvolvimento sustentável do país.
Sim, porque, nos Estados Unidos, a participação das cooperativas no sistema financeiro nacional é de 9,1% e a penetração é de 43%. Na Alemanha, o índice é de 36% e a presença é de 15% no mercado financeiro.
O cooperativismo é um sistema à frente do tempo, estruturado de forma inteligente e voltado para quem tem consciência do próprio dinheiro e acompanha de perto o mercado. No momento de crescimento acelerado que vivemos este apoio pode fazer toda a diferença para que a população não seja vítima de um crédito fácil e afunde em dívidas, como já acontece com 60% da população de baixa renda.
Manoel Messias da Silva - Presidente da Central das Cooperativas de Crédito do Estado de São Paulo (Sicoob Central Cecresp).
Fonte: Jornal: Jornal da Tarde -