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Quase 30 milhões de brasileiros deixaram as classes D e E nos últimos 18 anos

De acordo com a pesquisa “Os Emergentes dos Emergentes”, divulgada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), 29,3 milhões de brasileiros deixaram a baixa renda nos últimos 18 anos. O número equivale à população do Peru.

O estudo mostra que a população das classes D e E (com renda familiar de até R$ 1.200) diminuiu de 92,8 milhões, em 1993, para 63,5 milhões, em 2011. A classe C (com renda familiar entre R$ 1.200 e R$ 5.174), nesse mesmo período, cresceu de 45,6 milhões para 105, 4 milhões de brasileiros. Juntas, as classes A e B (com renda familiar maior que R$ 5.174) foram de 8,8 milhões para 22,5 milhões, também durante estes 18 anos.

A classe média é a única que continua crescendo de 2010 para cá, mostra o estudo. Nesse intervalo, a população da classe C foi de 53,6% para 55,05%. Já as classes A e B recuaram de 11,98% para 11,76% e as classes D e E passaram de 34,4% para 33,19%. Marcelo Neri, economista chefe do Centro de Políticas Sociais da FGV, afirmou: “a classe média também é resultado do esforço dela mesma, que alcançou mais anos de educação na escola e passou a ter menos filhos”.

Dívida da família brasileira cresceu em 2011

Em pesquisa encomendada pelo Jornal da Globo, a Fecomércio (Federação do Comércio) analisou todas as capitais brasileiras e constatou que o valor da dívida das famílias cresceu de R$ 1.298 no início de 2010 para R$ 1.527 em 2011. A causa do aumento seria a grande oferta de crédito aliada aos altos juros.

De acordo com a pesquisa, o brasileiro acostumou-se a fazer as compras em parcelas. O financiamento é escolhido, principalmente, para o consumo de bens caros, como carros, imóveis, televisores e computadores. O parcelamento também aumenta as dívidas do brasileiro.

A capital com o maior índice de endividamento é Curitiba, onde 88% das famílias estão endividadas. A média nacional é de 64%. Porto Alegre é a capital onde se pagam as dívidas mais altas, são R$ 2.145 em relação a R$ 1.527, que é a média nacional.

Antônio Carlos Borges, economista da Fecomércio, afirma: “nós atribuímos isso basicamente à elevação da taxa de juros, os dados de vendas estão mostrando que o consumo vem caindo e, ao mesmo tempo, as pessoas estão mais endividadas. É preciso lembrar que os juros na ponta vêm crescendo sistematicamente nesses quatro primeiros meses do ano. Então, a pessoa que vai comprar o mesmo produto está pagando um juro maior do que aquela que comprou em momentos anteriores”.

Brasileiro paga R$ 1,7 bilhão por mês aos bancos

Somente com a taxa média de manutenção da conta-corrente, os bancos recebem cerca de R$ 1,7 bilhão por mês de seus clientes. Os bancos também faturam alto com os serviços e os juros, além dos lucros com as aplicações financeiras e das faturas com tarifa de excedentes. O número foi constatado pelo Diário do Grande ABC com base em estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, o Censo 2010 e o Banco Central.

Tramita no Congresso Nacional o Projeto de Lei 6.824/06, que isenta das taxas bancárias pessoas com mais de 60 anos que tenham renda de até um salário mínimo, ou seja, R$ 545. O Projeto também prevê a vantagem para clientes bancários maiores de 70 anos. O benefício, se aprovado, representa o risco de que o valor não cobrado para essas pessoas seja repassado para os outros clientes, em taxas bancárias mais altas ainda.

Brasileiro faz setor de cartões bater recorde

O brasileiro moveu mais de R$ 145,2 bilhões em compras com cartão de débito ou crédito entre janeiro e março deste ano. A Abecs (Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços) afirmou que o número é um recorde para o setor e representa um aumento de 23% sobre o faturamento do mesmo período no ano passado.

Os números mostram que o brasileiro está usando cada vez mais os cartões. Até março, circulou no Brasil 643 milhões de cartões. Esse mesmo número estava em 639 milhões em fevereiro. A previsão é de que até o fim de 2011 o setor tenha 684 milhões de cartões em uso no país, com mais de 8,2 milhões de operações, segundo Claudio Yamaguti – presidente da Abecs.

Ele ainda declarou: “apesar das medidas do governo de elevar juros e de conter um pouco o crédito, o consumo das famílias ainda se encontra aquecido, visto que, por enquanto, os efeitos dessas medidas não foram sentidos”.


 
   

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