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Crediário tem juro mais alto desde março de 2007 

Segundo o BC, custo médio para as famílias chegou a 49,1% ao ano em junho; elevação se deve ao aumento da taxa básica de juros (Selic)

Fernando Nakagawa, BRASÍLIA

A alta dos juros promovida pelo Banco Central (BC) começa a surtir efeitos práticos no custo de crédito. As taxas cobradas pelos bancos subiram nas principais modalidades para a pessoa física no mês passado, reforçando um movimento de desaceleração de empréstimos.

Em junho, o custo médio pago pelas famílias para tomar dinheiro emprestado subiu e atingiu o maior patamar desde março de 2007: 49,1% ao ano. Com isso, o ritmo de crescimento dos empréstimos para as pessoas físicas foi o menor do ano, resultado oposto ao das empresas, que continuaram se endividando e pagando juros mais baixos, segundo dados divulgados ontem pelo BC.

O encarecimento do crédito ocorreu exclusivamente nas operações para as pessoas físicas, cuja taxa média de juro aumentou 1,7 ponto porcentual na comparação com maio. No semestre, a alta acumulada é de 5,2 pontos. A alternativa mais fácil de endividamento das famílias - o uso do cheque especial - se tornou a mais onerosa com o aumento de 2 pontos porcentuais. O juro da modalidade passou para 159,1% ao ano, o maior patamar desde agosto de 2003, primeiro ano do governo Lula.

O crédito pessoal também encareceu e a taxa aumentou 3 pontos, para 51,4%. Até mesmo o juro do crédito consignado, aquele com desconto em folha de pagamento e considerado uma das opções mais baratas do mercado, subiu 0,2 ponto, para 27,7%. O financiamento de veículos aumentou 0,5 ponto, para 31,1%.

O chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, explica que o encarecimento do crédito para as famílias é decorrente de dois fatores: elevação da Selic e aumento da margem dos bancos no crédito. Em abril, o Comitê de Política Monetária (Copom) começou a subir os juros como reação ao aumento de preços na economia. Desde então, a taxa já subiu 1,25 ponto porcentual, para 13% ao ano.

Altamir diz que o juro também sobe influenciado pelo aumento do spread bancário - que é a margem do banco no crédito, calculada pela diferença entre o juro de captação e empréstimo. Nesse caso, ele diz que tem ocorrido mudança no perfil das modalidades de crédito, com mais gente tomando recursos em operações caras. Também há influência de decisões passadas, como a alta do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e a criação de depósito compulsório para depósitos de empresas de leasing.

EMPRESAS

Nos empréstimos para as empresas, a lógica do mercado tem sido completamente diferente. Em junho, o juro médio caiu de 26,9% para 26,6%. A notícia é bem recebida pelo BC, já que empresas podem aumentar a capacidade de produção com crédito e isso pode diminuir a pressão inflacionária. Esses grandes clientes têm perfil de risco muito baixo, o que permite ao banco reduzir a margem de lucro.

Fonte: O Estado de S.Paulo - Seção: Economia - 30/07/2008


 
   
 
 

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